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A SEGIB lança uma série de recursos sobre cuidados e corresponsabilidade dirigida às organizações

O documento disponibiliza dados, quadros de referência e boas práticas para transformar a forma como as organizações públicas e privadas gerem o trabalho de cuidados.

Atualização:

Quem cuida, trabalha. E esse trabalho, na Ibero-América, recai de forma esmagadora sobre as mulheres: três em cada quatro horas de trabalho de cuidados não remunerado são realizadas por elas. Para dar visibilidade a esta realidade e apresentar soluções concretas, a Secretaria-Geral Ibero-Americana (SEGIB) apresenta a Caixa de Ferramentas: Cuidados e Corresponsabilidade, um recurso prático dirigido a instituições e organizações dos 22 países ibero-americanos. 

O documento reúne conceitos-chave, dados regionais, enquadramentos normativos e recursos: experiências e casos reais de empresas e governos que já estão a transformar a forma como os cuidados são organizados. 

Dados-chave e o cheque invisível 

Os números são eloquentes. No México, a diferença diária entre o tempo que mulheres e homens dedicam aos cuidados não remunerados supera as quatro horas. Na Argentina, o setor dos cuidados contribui com 15,9% do PIB nacional, acima da indústria. Em Espanha, as mulheres recebem uma pensão de reforma 33% inferior à dos homens, associada, segundo o relatório, à interrupção das suas carreiras por motivos de cuidado; e 64% do trabalho doméstico e de cuidados remunerado é realizado por mulheres migrantes latino-americanas. E, como dado global, em toda a Ibero-América, o setor representa entre 15% e 24% do PIB da região, se o trabalho não remunerado fosse contabilizado. 

“El cuidado no es residual: es economía. Invisibilizarlo no lo elimina; lo transfiere a las mujeres como un cheque invisible mensual que el sistema les pide firmar sin consentimiento”, señala el informe que también recoge que la jornada de una madre con menores a cargo, según CEPAL es de 75 horas semanales. 

A publicação também documenta o retorno que as organizações obtêm ao investirem em políticas de cuidado: menor rotatividade de pessoal, redução do absentismo e melhorias mensuráveis na equidade. Empresas da Argentina, Espanha e México como Mercado Libre, Telefónica, BBVA, Iberdrola, Grupo Bimbo ou Natura &Co surgem como exemplos de boas práticas. 

Recursos para a mudança 

Perante este diagnóstico, a caixa de ferramentas propõe um enfoque em quatro eixos de ação: 

  • Tempo (horários flexíveis, semanas comprimidas, direito à desconexão)  
  • Espaço (salas de cuidados, teletrabalho)  
  • Dinheiro (abonos e subsídios familiares)  
  • cultura organizacional (formação, protocolos, liderança comprometida). 

O documento, Caixa de Ferramentas: Cuidados e Corresponsabilidade, nasce do ciclo de workshops «O Futuro do Trabalho é Humano: Ciclo de Cuidados e Conciliação», impulsionado pelo Comité Técnico de Género dos Organismos Ibero-Americanos, integrado por COMJIB, OEI, OIJ, OISS e SEGIB, e elaborado pela GROW – Género e Trabalho

A SEGIB lança esta publicação, financiada pela AECID, alguns dias antes da Ministerial de Assuntos Sociais (3 de julho de 2026), na qual os 22 países da região procuram aprovar uma Agenda de Cuidados, que será elevada à XXX Cimeira Ibero-Americana de Chefes e Chefas de Estado e de Governo, que se realizará em Madrid nos dias 4 e 5 de novembro de 2026.