
Por ocasião do Dia Internacional do Património Cultural Imaterial, destacamos o papel dos programas de cooperação cultural apoiados pela SEGIB na recuperação, preservação e divulgação dos saberes e das expressões que conferem identidade à região. Um trabalho que valoriza a natureza diversa e plural da cultura ibero-americana nas suas múltiplas expressões.
Muitas destas expressões podem ser vistas e ouvidas hoje graças a projetos que transmitem saberes através de arquivos, vídeos, instrumentos, cantos, danças e ritmos, fazendo com que o passado ganhe vida no presente.
Um exemplo disso é o trabalho de gestão documental do Iberarchivos, programa que, na sua convocatória de 2018, apoiou o projeto «Poema para una canción: Archivo de Judith Pérez Romero». Esta iniciativa permitiu restaurar e catalogar o arquivo pessoal da célebre pianista e compositora do Iucatão, tornando-o acessível ao público através de uma exposição virtual que apresenta partituras e registos musicais históricos da trova e da tradição do sudeste mexicano.
Outro exemplo da recuperação das tradições é o filme«Karnawal», que, em 2017, beneficiou do apoio à Coprodução do Ibermedia. O filme capta a essência do malambo, a dança tradicional argentina, afirmando-a como um pilar fundamental da identidade sonora e coreográfica da região.
Esta capacidade de diálogo entre a tradição e as linguagens contemporâneas está também presente nas artes performativas, com «DØ BANIA KAKUARÃ – Cuerpos de agua río», instalação multimédia vencedora da convocatória 2025-2026 do Iberescena. O projeto explora as relações entre os corpos de água, a cosmogonia ancestral indígena e o impacto do colonialismo, através de cantos em línguas nativas, danças indígenas, sons digitais e imagens que dão voz ao território.
Outro dos projetos que trazem a memória para o presente é «Recuperación del Patrimonio Sonoro Maya: Misión Itzamná», vencedor da convocatória de 2024 do Ibermúsicas. Trata-se de uma iniciativa que combina tecnologia, arqueologia experimental e realidade virtual numa experiência imersiva que permite mergulhar na antiga civilização maia através dos sons dos seus instrumentos musicais.
No domínio da preservação audiovisual, o Ibermemoria apoiou a Cinemateca Dominicana num projeto dedicado a Oscar Torres de Soto, cineasta, crítico e investigador pioneiro do cinema caribenho, com um percurso de destaque em Cuba, na República Dominicana e em Porto Rico. O projeto permitiu recuperar e preservar materiais audiovisuais desde 1954, bem como fotografias, correspondência, cartazes e publicações na imprensa, contributos fundamentais para a investigação sobre a história do cinema dominicano e caribenho.
