A União de Cidades Capitais Ibero-Americanas (UCCI) e a Secretaria-Geral Ibero-Americana (SEGIB) inauguraram hoje, no Centro Cultural Conde Duque, em Madrid, o II Encontro de Cidades Ibero-Americanas, uma iniciativa internacional que reuniu representantes de 30 cidades da região, entre os quais 18 presidentes e presidentas de câmaras municipais. Participaram também organismos internacionais, delegações diplomáticas, bancos de desenvolvimento, empresas e representantes do meio académico e da sociedade civil.
Sob o lema «Cidade a cidade construímos a Ibero-América», o Encontro destacou o papel fundamental das cidades no desenvolvimento da região e a necessidade de reforçar a sua participação nos espaços internacionais de decisão. Num território onde mais de 80% da população da América Latina e das Caraíbas reside em zonas urbanas, os governos locais reivindicaram a sua capacidade para dar resposta a desafios globais que têm um impacto direto na vida quotidiana dos cidadãos.
A sessão de abertura contou com a participação do presidente da Câmara Municipal de Madrid e copresidente da UCCI, José Luis Martínez-Almeida; do chefe do Governo da Cidade Autónoma de Buenos Aires e copresidente da UCCI, Jorge Macri; do secretário-geral ibero-americano, Andrés Allamand; e da secretária de Estado para a Ibero-América e as Caraíbas e o Espanhol no Mundo, Susana Sumelzo. Posteriormente, e antes do início dos diferentes eixos temáticos do Encontro, interveio o presidente executivo do CAF – Banco de Desenvolvimento da América Latina e das Caraíbas, Sergio Díaz-Granados.
Entre as principais autoridades locais participantes estiveram Sergi González, cônsul maior de Andorra-a-Velha; Luis Bello, intendente de Assunção; Carlos Fernando Galán, presidente da Câmara Municipal de Bogotá; Bruno García, presidente da Câmara Municipal de Cádis; Carlos Moedas, presidente da Câmara Municipal de Lisboa; Renzo Reggiardo, presidente da Câmara Metropolitana de Lima; Mario Bergara, intendente de Montevideu; Pabel Muñoz López, presidente da Câmara Metropolitana de Quito; Miguel A. Romero, presidente da Câmara Municipal de San Juan; Mario Edgardo Durán, presidente da Câmara Municipal de San Salvador Centro; Fátima Tardío, presidente da Câmara Municipal de Sucre; e Juan Diego Zelaya, presidente da Câmara Municipal de Tegucigalpa.
Participaram também Juan Nicolás Sinning, presidente da Câmara Municipal de Mompox; Carlos Pinedo, presidente da Câmara Municipal de Santa Marta; José Ulises Rodríguez, presidente da Câmara Municipal de Santiago de los Caballeros; e José Luis Sanz, presidente da Câmara Municipal de Sevilha. A par de José Luis Martínez-Almeida e Jorge Macri, a lista de participantes confirmados inclui os mais altos responsáveis pelas cidades ibero-americanas. As cidades de São Domingos, São Paulo, San Pedro Sula, Cidade do México, Havana, Salvador da Bahia, Cartagena das Índias, Valparaíso e Cuenca participaram igualmente, através de representantes institucionais das respetivas áreas internacionais.
Durante a sua intervenção, José Luis Martínez-Almeida destacou o papel de Madrid como ponto de encontro entre a Europa e a Ibero-América e a importância de reforçar a cooperação entre os governos locais: «A Ibero-América é uma comunidade extraordinária, que não só partilha raízes, como também a ambição de partilhar um futuro e de proporcionar soluções aos cidadãos. As decisões globais são tomadas a nível local, pelo que o diálogo entre as cidades é imprescindível, agora mais do que nunca, para avançarmos rumo a sociedades mais bem preparadas para enfrentar o futuro. Os presidentes das câmaras municipais estamos próximos dos cidadãos para dar essas respostas; somos os primeiros a ocupar-nos dos problemas e os últimos a desistir».
Por sua vez, Jorge Macri salientou a necessidade de partilhar experiências e avançar para uma gestão municipal mais eficaz: «As cidades ibero-americanas temos um único grande objetivo: dar resposta às crescentes exigências e aos desafios repletos de incerteza. As nossas cidades vivem do talento humano, que nos permite crescer, pelo que a maioria das soluções que encontrarmos enquanto humanidade surgirá dos governos das cidades, onde reside mais de 80% da população da região».
Em paralelo, Sergio Díaz-Granados agradeceu a colaboração entre as instituições participantes e reafirmou o apoio da organização à agenda urbana da região. «Devemos unir as nossas cidades para construir uma comunidade que nos leve muito mais longe. Temos de conjugar esforços para aumentar a produtividade e dar resposta a desafios como o acesso à habitação, as alterações climáticas, os transportes e as desigualdades nas sociedades urbanizadas».
Cinco áreas de debate sobre o futuro das cidades
Ao longo da jornada, os participantes abordaram alguns dos principais desafios que as cidades ibero-americanas enfrentam, através de cinco painéis temáticos. No domínio do desenvolvimento urbano e do planeamento estratégico, o debate centrou-se na habitação a preços acessíveis, no crescimento das áreas metropolitanas e na necessidade de garantir a continuidade das políticas públicas para além dos ciclos eleitorais.
A inovação e a inteligência artificial ocuparam também um lugar de destaque, com especial atenção à sua aplicação na melhoria dos serviços públicos, na gestão dos dados e na redução das desigualdades digitais. No domínio do desenvolvimento económico local, os participantes analisaram formas de promover o emprego jovem, apoiar as pequenas e médias empresas, atrair talento e investimento e reforçar a colaboração entre os setores público e privado.
Foi igualmente valorizado o papel da cultura, do património e das indústrias criativas enquanto motores de atividade económica, coesão social e projeção internacional, bem como a importância de avançar para um turismo cultural sustentável. Por último, o diálogo sobre segurança e coesão social abordou a prevenção da criminalidade, a recuperação do espaço público e a utilização de novas tecnologias para construir cidades mais seguras e inclusivas.
Neste contexto, Almudena Maíllo del Valle, secretária-geral da UCCI, destacou a importância de consolidar este espaço de cooperação, em especial no domínio da cultura. «O coração da UCCI reside na partilha de experiências. A cultura representa uma grande oportunidade para as cidades, enquanto elemento de coesão e projeção. Valorizar os diferentes tipos de património é uma das grandes alianças para promover a convivência entre residentes e visitantes das regiões urbanas, entendendo esse património como uma parte viva da cidade e um recurso útil ao serviço dos cidadãos».
Uma declaração de consenso tendo em vista a próxima Cimeira Ibero-Americana
O II Encontro de Cidades Ibero-Americanas culminou com a assinatura da Declaração Ibero-Americana pelos presidentes e presidentas das câmaras municipais participantes, um documento que foi posteriormente entregue a Sua Majestade o Rei Filipe VI, em audiência no Palácio da Zarzuela. A Declaração Ibero-Americana de Presidentes de Câmaras Municipais é um documento de consenso que reúne as principais prioridades partilhadas pelos governos locais e que visa reforçar a sua participação na agenda ibero-americana.
Esta nova declaração dará continuidade à Declaração de Madrid, assinada durante a primeira edição do Encontro, realizada em 2024, e posteriormente apresentada na XXIX Cimeira Ibero-Americana de Chefes de Estado e de Governo, no Equador. A edição deste ano constituiu, assim, mais um passo na consolidação de um fórum de cooperação que se realiza de dois em dois anos e que faz parte do calendário oficial da Conferência Ibero-Americana.
O Encontro realizou-se na antecâmara da XXX Cimeira Ibero-Americana de Chefes de Estado e de Governo, que terá lugar em Madrid, em novembro de 2026, com o objetivo de continuar a reforçar a voz das cidades nas grandes decisões que afetam o futuro da região.
O II Encontro de Cidades Ibero-Americanas é organizado pela União de Cidades Capitais Ibero-Americanas, presidida pela Câmara Municipal de Madrid e pelo Governo da Cidade de Buenos Aires e pela Secretaria-Geral Ibero-Americana, conta com o patrocínio da cooperação espanhola (AECID) e com o apoio da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID), a colaboração da Câmara Municipal de Madrid e o patrocínio do CAF–banco de desenvolvimento da América Latina e das Caraíbas–, da COX, da Iberia e da Mapfre.

