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Recomendações para a participação das mulheres emprocessos de mediação e construção de paz

Atualizado:

Documento da Rede Ibero-americana de Mulheres Mediadoras (RIMM)

O documento, intitulado Recomendações para a participação das mulheres em processos de mediação e construção da paz e elaborado pela Rede Ibero-Americana de Mulheres Mediadoras (RIMM) com o apoio da Secretaria-Geral Ibero-Americana (SEGIB) e da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID), oferece um diagnóstico regional e um conjunto de recomendações para reforçar a participação das mulheres na mediação e na construção da paz na Ibero-América. 

Baseado numa investigação qualitativa que recolhe as experiências e conhecimentos de mulheres mediadoras de diferentes países, o documento analisa as condições reais em que as mulheres participam em processos de resolução de conflitos, dando visibilidade tanto aos desafios que enfrentam como às estratégias que desenvolveram para intervir de forma eficaz. 

Um diagnóstico necessário

O relatório inscreve-se na agenda internacional de Mulheres, Paz e Segurança, impulsionada pela Resolução 1325 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que reconhece o papel fundamental das mulheres na prevenção e resolução de conflitos. No entanto, evidencia que, apesar dos avanços normativos, as mulheres continuam sub-representadas e a sua participação permanece, em muitos casos, simbólica ou limitada.

Entre os principais resultados destacam-se:

  • A persistência de barreiras estruturais e interseccionais que limitam o acesso das mulheres aos espaços de decisão.
  • A falta de institucionalização e de reconhecimento formal do papel das mediadoras, especialmente em contextos comunitários.
  • A existência de estereótipos de género que restringem a sua participação a funções secundárias.
  • Um impacto psicossocial significativo, marcado pelo stress, pela sobrecarga e pela ausência de redes de apoio.

Apesar destes desafios, o estudo valoriza o contributo diferenciador das mulheres nos processos de paz, destacando práticas como a escuta ativa, a construção de confiança, a promoção de “diálogos improváveis” e a abordagem territorial e interseccional.

Além disso, o documento sublinha a importância das redes de mulheres mediadoras, como a RIMM, enquanto espaços de articulação, aprendizagem coletiva e apoio institucional.

Recomendações para avançar

O texto propõe um conjunto de recomendações dirigidas a governos, organismos internacionais e atores da sociedade civil, entre as quais se destacam:

  • Institucionalizar a mediação com uma abordagem de género e interseccionalidade.
  • Criar mecanismos de acreditação e reconhecimento para mulheres mediadoras.
  • Reforçar a formação, a proteção e os sistemas de apoio psicossocial.
  • Garantir a participação efetiva das mulheres em espaços de tomada de decisão em matéria de segurança e paz.

Em conjunto, o relatório constitui uma ferramenta estratégica para repensar a arquitetura da paz na região, promovendo modelos mais inclusivos, representativos e sustentáveis, nos quais as mulheres não apenas participem, mas assumam um papel central como agentes de mudança.