O evento, organizado pela Iniciativa Ibero-Americana “Nenhum Bebê com Chagas”, reuniu equipes médicas, representantes de diversas entidades da Argentina e organismos internacionais com o objetivo de unificar critérios e otimizar as redes de atendimento médico local. Na ocasião, especialistas nacionais e representantes internacionais debateram e compartilharam experiências para dotar as equipes locais de ferramentas práticas para erradicar a transmissão materno-infantil da doença.
Nesse contexto, os profissionais concordaram que a detecção da doença de Chagas congênita é altamente eficaz quando realizada nos primeiros meses de vida; no entanto, reiteram que os obstáculos como as grandes distâncias, as diferenças culturais ou a falta de articulação entre os diferentes níveis de atendimento costumam atrasar o diagnóstico e o início do tratamento.
Esse diagnóstico compartilhado definiu o tom durante os dois dias de trabalho, já que detectar a doença de Chagas na gravidez não depende apenas da realização de um exame, mas de que os diferentes níveis do sistema de saúde funcionem de forma coordenada para assegurar a confirmação do diagnóstico, o acompanhamento do recém-nascido, o atendimento à mãe e a continuidade do cuidado.
O encontro não se limitou à doença de Chagas, mas integrou a estratégia ETMI Plus da OPAS, uma abordagem que busca cortar a transmissão vertical de quatro doenças-chave: HIV, sífilis, hepatite B e doença de Chagas. Boa parte das sessões foi dedicada, além disso, a identificar as barreiras sociais, culturais e institucionais que dificultam o acesso à assistência, e a revisar os circuitos existentes a partir da experiência daqueles que trabalham na área e das próprias pessoas com Chagas
No encerramento, os profissionais foram incentivados a atuar como agentes multiplicadores em suas respectivas regiões: disseminar os conteúdos entre outras equipes de seus territórios, ampliar o alcance da capacitação e sustentar, ao longo do tempo, o fortalecimento das capacidades locais para a abordagem integral da doença de Chagas. O objetivo: que o conhecimento técnico se traduza em um atendimento mais equitativo, humano e próximo para cada família, e que as diretrizes sanitárias se transformem em práticas concretas nos locais onde, nos dias de hoje, o diagnóstico ainda chega tarde.

