A Secretaria-Geral Ibero-Americana (SEGIB) apresentou, na sexta-feira, em Bruxelas, os resultados do seu trabalho no âmbito do programa ADELANTE 2, a iniciativa da União Europeia para promover a Cooperação Triangular (CT) na América Latina e nas Caraíbas.
Ao longo de quase três anos, a SEGIB liderou a componente de investigação e produção de conhecimento do programa, desenvolvendo análises e ferramentas que evidenciam o potencial das parcerias triangulares entre ambas as regiões em áreas de grande relevância, como o ambiente e a inteligência artificial. O trabalho aborda igualmente o potencial da Cooperação Triangular com outras regiões do Sul Global e propõe possíveis modelos de instrumentos inovadores nos domínios da Cooperação Descentralizada e dos Povos Indígenas.
“Esta parceria constituiu um espaço fundamental para o diálogo e a produção de conhecimento. A Cooperação Triangular é uma modalidade estratégica que não pode ser entendida sem o respeito pela horizontalidade, pela aprendizagem mútua e pela construção de respostas partilhadas aos desafios globais”, afirmou a Secretária para a Cooperação Ibero-Americana, Lorena Larios.
Seis publicações para orientar esta cooperação
O trabalho desenvolvido pela SEGIB no âmbito do programa materializa-se em seis publicações — quatro estudos temáticos e duas propostas de novos instrumentos de gestão — que procuram responder a questões concretas sobre a forma como esta modalidade de cooperação pode tornar-se mais útil e mais eficaz:
- Que papel pode desempenhar na agenda ambiental, num continente que alberga 60 % da biodiversidade terrestre do planeta
- Como tirar partido da inteligência artificial sem que a América Latina seja relegada para um papel secundário nessa cadeia global
- Como reforçar as redes de ciência e tecnologia entre ambas as regiões
- Que oportunidades existem para cooperar com África, a Ásia e as Caraíbas para além do espaço ibero-americano
- Como fazer com que as cidades e os governos locais sejam parte ativa desta cooperação, e não apenas os governos centrais
- Como integrar os conhecimentos e as prioridades dos povos indígenas nos projetos
Recomendações sobre Cooperação Triangular do relatório final
A publicação final do projeto identifica os principais desafios que limitam o alcance da Cooperação Triangular: a redução das opções de financiamento, a dificuldade em gerir um número crescente de iniciativas em simultâneo e a ainda insuficiente integração desta modalidade nas prioridades estratégicas dos países. Perante este cenário, o relatório apresenta várias recomendações, entre as quais a necessidade de integrar a Cooperação Triangular nas grandes iniciativas europeias, como o Global Gateway, articulá-la com outros instrumentos de financiamento — incluindo a banca de desenvolvimento — e alargar os seus princípios de horizontalidade e cocriação a outras modalidades de cooperação.
“É fundamental que o conhecimento produzido contribua para a conceção de políticas públicas e se traduza em ferramentas concretas que reforcem o futuro da Cooperação Triangular. Devemos adotar uma perspetiva mais ampla sobre as fontes de conhecimento que nos permitem avançar nesta modalidade de cooperação. Não devemos recorrer apenas às fontes tradicionais; para incluir ativamente atores não tradicionais, é necessário adaptarmo-nos a dinâmicas coletivas diferentes das habituais”, destacou o Coordenador da Área de Coesão Social e Cooperação Sul-Sul, Martín Rivero, durante o encontro realizado em Bruxelas.
“Perante o novo contexto da cooperação entre a União Europeia e a América Latina e as Caraíbas, os estudos realizados indicam que a Cooperação Triangular pode vir a afirmar-se não apenas como um instrumento complementar de financiamento, mas também como uma plataforma de conhecimento e de articulação multilateral, especialmente num contexto em que as grandes agendas exigem coordenação, capacidade de adaptação e aprendizagem contínua”, acrescentou a Técnica do Projeto SEGIB-UE sobre Cooperação Triangular, Cristina Santalla.
Sobre o programa ADELANTE 2
O ADELANTE 2 é um programa da União Europeia destinado a promover a Cooperação Triangular na América Latina e nas Caraíbas como instrumento para impulsionar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Ao longo das suas duas fases, o programa apoiou 87 projetos em áreas como o ambiente, a saúde, a educação e a digitalização. A SEGIB participou como parceira estratégica, contribuindo com a sua experiência no acompanhamento e na análise da Cooperação Sul-Sul e Triangular através do Sistema Integrado de Dados da Ibero-América (SIDICSS).

