A Secretaria-Geral Ibero-Americana (SEGIB), a Iniciativa Ibero-Americana para Prevenir e Eliminar a Violência contra as Mulheres (IIPEVCM), o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e o Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caraíbas (CAF) apresentam o relatório “Medir para transformar: o custo da violência contra as mulheres na Ibero-América”.
O documento constata que a violência contra as mulheres não é apenas uma violação dos direitos humanos: é também um problema económico que pesa sobre os orçamentos públicos da região e que, em alguns países, pode atingir até 5% do PIB, segundo os estudos analisados do Paraguai e do Equador.
O relatório, financiado pela Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID), analisa 17 estudos realizados em 10 países — Argentina, Bolívia, Colômbia, Equador, Espanha, México, Paraguai, Peru, Portugal e Uruguai — ao longo de mais de duas décadas, e avalia as suas metodologias segundo quatro critérios: precisão, aplicabilidade, replicabilidade e desagregação.
O que os dados revelam
As mulheres e os seus agregados familiares suportam entre 44% e 50% do custo total (segundo estudos no Paraguai e no Equador), em despesas relacionadas com saúde e justiça, bem como na perda de rendimentos. O Estado absorve entre 11% e 13%, destinando a maior parte à resposta reativa. Já as empresas perdem mais devido ao presenteísmo do que às ausências: trabalhadoras que comparecem ao trabalho, mas cuja produtividade é significativamente afetada.
Tudo isto a partir de dados que representam apenas uma fração do problema real: no México, apenas 13,6% dos casos chegam a denúncia formal; no Equador, apenas 5%.
Um instrumento para a política pública
O relatório não se limita a mapear o que foi medido. Identifica lacunas — geográficas, metodológicas e interseccionais — e formula 11 recomendações dirigidas a equipas técnicas e governos para melhorar a qualidade, comparabilidade e impacto político de futuros estudos de cálculo de custos.
