
Cinco universidades públicas ibero-americanas se reuniram durante uma semana em Buenos Aires para desenhar soluções de inteligência artificial centradas nas pessoas no âmbito da UniversitarIA, uma iniciativa impulsionada pela Secretaria-Geral Ibero-americana (SEGIB) que aposta pela construção da IA da região desde a cooperação.
A atividade, que contou com o apoio da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID), foi realizada em abril na sede da Universidade de Buenos Aires (UBA) e reuniu equipes do CITEP/UBA, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Universidade do Chile (UCH), da Universidade da Coruña (UDC) e da Universidade Tecnológica do Uruguai (UTEC).
As equipes trabalharam em grupos interuniversitários para desenvolver cinco soluções de IA pensadas para resolver problemas reais de quem habita a universidade:
- AIuda: facilita o acesso a materiais e recursos educativos para estudantes com deficiência visual.
- AreteIA: acompanha o corpo docente na tarefa de avaliar seus estudantes, otimizando tempos e critérios de correção.
- AsistIAG: assiste em processos acadêmicos e de gestão, reduzindo significativamente o tempo que docentes e pessoal administrativo dedicam à consulta de rubricas e normativas.
- Cidade Social: aproxima a universidade de seu território por meio da georreferenciação das ações de extensão que chegam às comunidades.
- uni+: detecta precocemente sinais de risco de evasão para acompanhar os estudantes antes que abandonem seus estudos.
O programa, inspirado na metodologia dos Laboratórios de Inovação Cidadã (LABIC) da SEGIB, promove uma forma de trabalho colaborativa que permite passar das ideias à prototipagem, e da prototipagem à experimentação em contextos reais.
“A UniversitarIA permitiu avançar em uma linha de trabalho muito concreta: desenvolver soluções de inteligência artificial centradas nas pessoas a partir das universidades”, afirma Pablo Pascale, chefe da Divisão de Inovação Pública e Cidadã da SEGIB. “Mas também gerar aprendizagens e ferramentas que possam ser compartilhadas, adaptadas e escaladas em outras instituições de ensino superior da Ibero-América”, acrescenta.
Após a fase realizada em Buenos Aires, o projeto continuará com um workshop de desenho de projetos piloto em A Coruña, onde as universidades ajustarão as soluções prototipadas para sua implementação. Posteriormente, será aberta uma etapa de pilotagem de três meses nas cinco universidades participantes, com o objetivo de testar as soluções com suas comunidades, coletar aprendizagens e definir as condições para seu possível escalonamento.
Os resultados do processo serão sistematizados e apresentados publicamente na IV Semana Ibero-Americana de Inovação Pública, que será realizada em outubro, na Espanha.
Com a UniversitarIA, a SEGIB consolida uma aposta para que a inteligência artificial a serviço das pessoas seja construída a partir da cooperação ibero-americana e das próprias instituições da região, traduzindo em prática um dos compromissos centrais da Carta Ibero-americana de Princípios e Direitos nos Entornos Digitais: que a transformação digital da Ibero-América seja inclusiva, equitativa e centrada nas pessoas.
