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Projeto Comadronas: fortalecer o primeiro nível de atendimento para prevenir o Chagas congênito na Guatemala

Impulsionado pela Iniciativa Ibero-Americana “Nenhum Bebê com Chagas” — um dos 31 programas de Cooperação Ibero-Americana promovidos pela Secretaria-Geral Ibero-Americana (SEGIB) — o projeto Comadronas aposta em fortalecer o papel das parteiras para prevenir o Chagas congênito na Guatemala.

Nas comunidades rurais do leste da Guatemala, as parteiras desempenham um papel central na luta contra o Chagas. Reconhecidas e legitimadas por suas comunidades, essas mulheres articulam saberes tradicionais com práticas de cuidado vinculadas ao sistema de saúde. Sua presença constante no território — em cada lar, em cada gravidez — as torna um ator insubstituível para frear a transmissão dessa doença de mãe para filho.

Embora a doença de Chagas seja prevenível e tratável quando detectada a tempo, o diagnóstico oportuno ainda é um desafio. Estima-se que milhares de mulheres na região atravessem suas gestações com a infecção sem saber, o que aumenta o risco de transmissão para seus filhos. Romper esse silêncio epidemiológico é um dos grandes desafios que o Projeto Comadronas se propõe a enfrentar.

Esse projeto de cooperação busca fortalecer o trabalho realizado pelas parteiras das áreas rurais da Guatemala, oferecendo ferramentas para identificar riscos, acompanhar as gestantes, facilitar o acesso aos serviços de saúde e promover o acesso ao diagnóstico e ao tratamento oportuno de possíveis doenças de transmissão vertical.

Para facilitar esse trabalho, foram cocriados com as comunidades materiais pedagógicos adaptados às realidades locais, com recursos visuais que permitem explicar de forma clara temas de saúde em departamentos como Jutiapa, Chiquimula e Jalapa, zonas endêmicas onde o Chagas continua sendo uma ameaça cotidiana.

“Hoje nos entendem muito facilmente com esse material, porque traz até os desenhos. Para mim é um grande benefício, porque podemos nos desenvolver muito mais em nossa comunidade”, afirma Catalina Estrada Pineda, parteira, que destaca que, graças a essas capacitações impulsionadas pela Iniciativa, descobriu que o “Chagas podia ser transmitido durante a gravidez”.

O projeto é um trabalho conjunto do Ministério da Saúde Pública e Assistência Social da Guatemala, com o acompanhamento técnico da Organização Pan-Americana da Saúde, da Comunidade de Castilla-La Mancha (Espanha) e a coordenação da Fundação Mundo Sano como Unidade Técnica da Iniciativa “Nenhum Bebê com Chagas”.

Detectar a tempo para cuidar melhor

A proposta do projeto é aparentemente simples, mas transformadora na prática, e consiste em integrar o diagnóstico de Chagas ao acompanhamento pré-natal de rotina, junto com outras infecções de transmissão vertical, como o HIV, a sífilis e a hepatite.

Esse trabalho se insere na estratégia ETMI Plus, promovida pela Organização Pan-Americana da Saúde, que incentiva a prevenção e a eliminação da transmissão vertical, durante a gestação e/ou o parto, de infecções preveníveis por meio do diagnóstico oportuno, do acesso ao tratamento e do fortalecimento integral da atenção às pessoas gestantes.

Nesse processo, as parteiras desempenham um papel fundamental, pois identificam situações de risco nos lares e acompanham as mulheres para que tenham acesso a consultas e exames.

“As parteiras avaliam a paciente em seu domicílio e depois a acompanham ao centro de saúde. Com isso, estamos detectando as doenças de forma oportuna e encaminhando quando necessário”, afirma Nidia Cámbara Méndez, coordenadora da Seção de Saúde Reprodutiva da Direção Departamental de Redes Integradas de Serviços de Saúde de Jutiapa.

Além disso, conta Daniela Medrano, responsável pelas parteiras da Direção Departamental de Redes Integradas de Serviços de Saúde de Jutiapa, “as dinâmicas de capacitação têm sido fundamentais para que possam identificar os aspectos mais importantes e comunicá-los de forma eficaz”.

Para além da disponibilidade de serviços, um dos principais desafios é que as mulheres tenham acesso a eles a tempo. Nesse caminho, as parteiras desempenham um papel-chave como ponte entre a comunidade e o sistema de saúde, facilitando o diálogo e o acompanhamento.

“A parteira conquistou a confiança das famílias. Se ela fala com uma mulher grávida, essa mensagem é compreendida e colocada em prática”, afirma a doutora Elsa Berganza, epidemiologista da Direção Departamental de Redes Integradas de Serviços de Saúde de Jutiapa.

Cooperação regional e geração de evidências

O Projeto Comadronas faz parte da Iniciativa Ibero-Americana “Nenhum Bebê com Chagas”, impulsionada no âmbito da cooperação ibero-americana da Secretaria-Geral Ibero-Americana (SEGIB), que promove o trabalho conjunto entre nove países membros para alcançar a eliminação da transmissão materno-infantil dessa doença até 2030.

A experiência na Guatemala, fruto de cinco anos de planejamento e construção regional, permite gerar aprendizados e ferramentas que podem ser adaptados a outros contextos da região, especialmente em comunidades onde o primeiro nível de atenção se apoia em atores comunitários.

Dessa forma, avança-se rumo a um modelo de atenção mais próximo, acessível e eficaz, no qual o trabalho conjunto entre comunidade e sistema de saúde é fundamental.

SEGIB y Mundo Sano

O Projeto Comadronas na Guatemala é impulsionado pela Iniciativa Ibero-Americana “Nenhum Bebê com Chagas”, um dos 31 programas de Cooperação Ibero-Americana promovidos pela Secretaria-Geral Ibero-Americana (SEGIB). O projeto é desenvolvido em trabalho conjunto com o Ministério da Saúde Pública e Assistência Social da Guatemala, com o acompanhamento técnico da Organização Pan-Americana da Saúde e da Comunidade de Castilla-La Mancha (Espanha), sob a coordenação da Fundação Mundo Sano como Unidade Técnica da Iniciativa.

O Projeto Comadronas é desenvolvido nas comunidades rurais do leste da Guatemala, especificamente nos departamentos de Jutiapa, Chiquimula e Jalapa, zonas endêmicas onde o Chagas continua sendo uma ameaça cotidiana.

Sim. A experiência desenvolvida na Guatemala, fruto de cinco anos de planejamento, permite gerar aprendizados e ferramentas que podem ser adaptados a outros contextos da região ibero-americana, especialmente em comunidades onde o primeiro nível de atenção se apoia em atores comunitários, como ocorre nos nove países membros da Iniciativa “Nenhum Bebê com Chagas”.