
No âmbito do Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, a Secretaria-Geral Ibero-Americana (SEGIB) reafirma seu compromisso com a igualdade de gênero nos campos da ciência, tecnologia, inovação e digitalização na região, onde as lacunas ainda persistem, apesar dos avanços alcançados nos últimos anos.
Os dados são eloquentes. As mulheres representam 43% do pessoal em pesquisa e desenvolvimento, mas sua presença cai para menos de 30% nas áreas tecnológicas e se reduz a 28% entre as inventoras de patentes, segundo o relatório Mulheres na ciência, tecnologia, inovação e digitalização na Ibero-América, elaborado conjuntamente pela SEGIB, ONU Mulheres e OCDE.
O documento oferece um diagnóstico detalhado dos avanços alcançados e, sobretudo, dos desafios estruturais que ainda limitam a plena participação das mulheres nesses setores, com o objetivo de contribuir com critérios e orientações para a formulação de políticas públicas e para a tomada de decisões nos âmbitos público e privado.
Desigualdade que começa na infância
A desigualdade se origina em etapas precoces e se reproduz ao longo das trajetórias educacionais, profissionais e de liderança. Embora o acesso ao ensino superior seja semelhante entre homens e mulheres, persiste uma marcada segregação horizontal por disciplinas: as mulheres representam 60% do total de graduadas na Ibero-América, mas apenas 20% nas disciplinas relacionadas às tecnologias da informação e comunicação (TIC) e 33% nas engenharias.
O ambiente digital amplia esses desafios. Embora em vários países o acesso à Internet supere 90%, persistem desigualdades significativas no desenvolvimento de habilidades digitais avançadas, na participação em banca digital e formação online, e na presença de mulheres em setores intensivos em tecnologia, incluindo o desenvolvimento de inteligência artificial.
Essa menor participação não apenas limita as oportunidades individuais das mulheres, mas também afeta a qualidade do conhecimento produzido, o design das tecnologias do futuro e o impacto social da inovação. A evidência internacional é clara: a diversidade impulsiona a produtividade e a inovação, e equipes mais diversas geram soluções mais inclusivas e eficazes. Segundo estimativas globais, fechar as lacunas de gênero no mercado de trabalho poderia aumentar o PIB mundial em até 20%.
Nos últimos anos, a Ibero-América avançou na adoção de marcos normativos que incorporam a igualdade de gênero como princípio transversal, assim como em instrumentos pioneiros, como a Carta Ibero-americana de Princípios e Direitos em Ambientes Digitais, que constitui um guia para orientar políticas públicas que assegurem que a digitalização contribua para o desenvolvimento social sem reproduzir desigualdades, um quadro especialmente relevante para analisar a lacuna digital de gênero na Ibero-América.”






