
A 79.ª edição do Festival de Cannes deixou uma marca profunda no cinema ibero-americano, com títulos premiados nas secções mais destacadas do certame. Entre eles, Papito Corazón (Burning Daddy), documentário da cineasta chilena Tana Gilbert, que recebeu o TransPerfect Post-Production Award, atribuído pela TransPerfect Media no Marché du Film.
Papito Corazón é uma coprodução entre Chile, Espanha e Alemanha que contou com o apoio dos fundos de estímulo do Ibermedia, na convocatória de 2025, o que torna este reconhecimento também um mérito do Programa Ibermedia, um dos 31 programas de cooperação ibero-americana promovidos pela SEGIB, e da sua aposta contínua no desenvolvimento do cinema da região.
Este segundo longa-metragem de Tana Gilbert acompanha a história de Camila e da sua família quando se lançam na reconstrução da imagem do pai, através de fotografias, arquivos e documentos judiciais que dão conta das fraudes em que participou e da violência que exerceu.
Mais prémios ibero-americanos em Cannes
À distinção obtida pelo projeto apoiado pelo Ibermedia somaram-se outros dois grandes reconhecimentos para o cinema da região. Os Javis — Javier Ambrossi e Javier Calvo — conquistaram o Prémio de Melhor Realização na Competição Oficial por La bola negra, galardão partilhado ex aequo com o polaco Paweł Pawlikowski. O filme é um drama que liga a sombra de Federico García Lorca à homossexualidade nos últimos cem anos em Espanha.
Por sua vez, as atrizes costa-riquenhas Daniela Marín Navarro e Mariangel Villegas, juntamente com a mexicana Marina de Tavira, receberam conjuntamente o Prémio de Melhor Interpretação Feminina em Un Certain Regard por Siempre soy tu animal materno, da realizadora costa-riquenha Valentina Maurel.
Homenagem a Elena Vilardell
No âmbito do Marché du Film, a Academia das Artes e Ciências Cinematográficas da Argentina e a Cidade Autónoma de Buenos Aires prestaram uma emotiva homenagem a Elena Vilardell, Secretária Técnica e Executiva do Programa Ibermedia, que está prestes a deixar o cargo após décadas de trabalho à frente da instituição.
Um ato que contou com a presença de representantes dos institutos de cinema da Argentina, Brasil, Colômbia, Chile, Cuba, Equador, Espanha, México, Portugal, República Dominicana e Uruguai, bem como da FIPCA e da CAACI.
“A sua visão, compromisso e calor humano deixam uma marca indelével em toda uma geração de cineastas, produtores e instituições que hoje continuam a fortalecer o nosso cinema no mundo”, assinalou a FIPCA nas suas redes sociais.
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